CIRCUITO AUTOMÓVEL DO ALGARVE 2008
Texto e fotos: Ricardo Grilo
A época de 2008 terminou da melhor forma, com a inauguração de um novo e extraordinário espaço para a prática de desportos motorizados. O extenso programa do Circuito Automóvel do Algarve, repartido por vários dias, serviu para prolongar este fim de semana tão especial que viu as habituais provas nacionais, com muito mais participantes que o habitual, serem complementadas pela derradeira manga do popular Campeonato Espanhol de GT que decidiu aqui o vencedor do título. Um fim-de-semana histórico do qual mostramos, numa breve reportagem fotográfica, alguns dos principais momentos.
Uma foto...

David e Golias: António Barros com o Porsche Carrera RSR da Garagem Aurora resiste aos ataques do Lola T70 Mk III de Pais do Amaral. Protótipos e GT's de novo juntos nos clássicos! Um bom augúrio para 2009? António Barros e Carlos Filipe Santos acabaram por ser dos concorrentes mais notados do fim de semana, por nunca baixarem os braços e terem ousado enfrentar, com algum sucesso, o Lola T70 de Pais do Amaral.
CAMPEONATO DE ESPANHA DE GT

Richard Lietz e Francisco Cruz Martins venceram categoricamente a prova do CEGT com o Porsche 997 GT3 da Autorlando Sport, uma equipa que conta com o apoio do departamento de competição da marca alemã. Competente e bem apoiado, o jovem piloto português está a construir rapidamente uma bela carreira que o poderá levar ao mais alto nível do desporto automóvel internacional.

O segundo posto da geral foi suficiente para Peter Sundberg, ao volante do Ferrari F430 GT da RSV Motorsport arrecadar o título máximo de campeão do CEGT

Pedro Bastos partilhou este Porsche 911 GT3 RSR da ASM com o gentleman driver italiano Renato del Noce.

Ricardo Bravo tinha algumas hipóteses de alcançar o título e para por isso a ASM convidou um dos melhores pilotos do mundo para este tipo de viaturas, na pessoa de Pedro Lamy. No entanto, um pião de Bravo no começo da corrida, o motor a falhar e uma roda recalcitrante em sair do lugar no decurso da paragem das boxes, liquidaram as possibilidades do sonho da ASM, de um português a vencer o Campeonato de Espanha de GT.

Miguel Pais do Amaral e Miguel Angel de Castro fizeram novamente equipa, para conquistarem um simpático 6º posto da geral ao volante deste Porsche 997 GT3 RSR

O CEGT possui algumas peculiaridades que o distinguem de outras competições congéneres, nomeadamente a nível dos veículos admitidos e, como tal, considerados de Grande Turismo. Um dos casos é este SR 21 da equipa Sun RED, um GT/protótipo feito em Espanha, sem versão comercial de estrada, equipado com um motor Judd V10 de 4 litros (um GV4, idêntico aos que se usavam nos LMP900 há uns anos atrás) e que no estado actual, dificilmente será aceite nos campeonatos FIA.

Após 4 décadas de carreira desportiva nacional, Mário Silva decidiu-se pela internacionalização, alinhando no CEGT de 2008 com este Ferrari 430 Challenge. No Algarve, com Armando Zagalo, alcançou o segundo posto entre os GTB.

Caranguejola fantástica: o KTM X-Bow da Escuderia Roger Racing. Trata-se do primeiro carro produzido pela KTM, com chassis em fibra de carbono e um motor Audi TFSi de 4 cilindros com turbo e intercooler, ligado às rodas traseiras através de uma caixa de 6 velocidades de origem VAG. Como ponto de destaque, os dois "roll bars" tipo "LMP1" fazem parte do equipamento de série do modelo, que no CEGT corre na categoria GTB. Os pilotos eram Javier Diaz e Chano Arias.

António Nogueira e António Coimbra participaram com o "quase clássico" Marcos LM600 no CEGT, tendo abandonado devido a problemas de transmissão. Antes disso ainda aproveitaram a ocasião para realizar (a par com o Mosler MT 900R da Motor Competicion) a melhor velocidade de ponta de todos os concorrentes presentes em Portimão: 270 km/h!

Ni Amorim alinhou ao volante deste Aston Martin V8 Vantage N24 da categoria GT4 que partilhou com Ronald Severin. A equipa tornou-se notada pelas voltas de reconhecimento, nocturnas, efectuadas na 6ª feirra, com o piloto português aparentemente a ensinar as melhores trajectórias ao seu colega de equipa.
Após muitos anos de ausência,
Pedro Lamy voltou a correr em Portugal, convidado pela ASM para ajudar
Ricardo Bravo
na remota possibilidade de
conquistar o título. Falhada a missão (o sueco Peter Sundberg recolheu os
louros) resta o conhecimento da pista, capaz de
aportar alguns dividendos na anunciada visita do Le Mans Series à pista
algarvia.
OPEN DO ALGARVE

Pedro Salvador com o Juno SSE persegue o Radical SR3 de Pedro Estrela no decurso dos treinos cronometrados, realizados na 6ª feira debaixo de forte chuva.

Primeira volta, com o Juno SSE de Pedro Salvador no comando das operações, seguido pelo Radical SR8 de Gallego, pelo Porsche 911 GT2 de Coimbra, o Radical S3 de Pedro Estrela, o CVO de e pelo March 74S de Carlos Diniz que logo no final desta primeira volta se veria obrigado a parar nas boxes para substituir as velas.

Um handicap algo exagerado obrigava o Radical SR8 a uma paragem de 4 minutos nas boxes, diminuindo assim de modo exponencial as hipóteses do carro britânico alcançar o triunfo. Na realidade o tempo de paragem foi reduzido para 3:30, mas talvez fosse ainda um valor exagerado. Desse modo, o terceiro lugar do pódio foi a posição possível para Francisco Gallego, claramente o mais rápido em pista.

Uma presença notável foi, a todos os níveis, a do Lister Storm com motor Jaguar, de Bobby Verdon-Roe. O carro é um antigo vencedor do FIA GT e o piloto um veterano desse campeonato que, desde há muito, habita em Portugal. A presença nesta prova inaugural, premiada com o segundo posto absoluto e primeiro entre os carros de GT, foi também uma experiência para avaliar as possibilidades do conjunto e que poderá ter continuidade no futuro, pois se o Lister já não é competitivo em provas internacionais, ainda o é no campeonato português de resistência. Piloto muito rápido, Verdon-Roe conseguia mesmo superar, ainda que ligeiramente, o andamento do Juno SSE de Pedro Salvador em boa parte do circuito.

Outra presença de relevo foi a do habitual Porsche 911 GT2 de António Nogueira e António Coimbra. O carro que começa a acusar o peso dos anos, mostrou não ser capaz de acompanhar o Lister de Verdon-Roe, apesar de correr sem restritor de admissão e desenvolver uma potência que rondará os 700 cv, alegadamente 100 ou 150 cv superior à potência disponível no carro britânico.

O elegante CVO R02, com motor Honda K20A de 2 litros, continua a ser um dos animadores das provas do Open e do CPR. Originalmente um projecto do empresário e entusiasta da Covilhã, Carlos Rodrigues, o carro acabou por ser cedido a Luís Martins que prossegue com ele a senda de bons resultados. Na imagem, "Eddie Cheever", ou melhor Luís Martins, um admirador do italo-americano, que copiou as cores do capacete do antigo piloto de Fórmula 1.

A vontade de experimentar a nova pista e a necessidade de rodar o histórico March 74S BDG levou Carlos Diniz até ao Algarve, onde alinhou no Open, única corrida do programa que admitia o seu sport-protótipo, banido dos campeonato nacional de clássicos (CPCC). O carro, com um motor BDG de sprint e com o depósito de combustível para apenas 40 litros, nunca poderia cumprir os 50 minutos de corrida, mas pelo menos serviu para matar saudades de um passado recente. Desgostoso com a situação, ainda para mais depois de ver um Lola T70 alinhar no CPCC, o piloto do Porto desistiu de "remar contra a maré" e colocou o March à venda alguns dias após a prova. Para conhecer a história deste March 74 S clique aqui

Isaac Chande, ao volante do Caterham Seven, no decurso de um duplo "tete" durante a corrida do Open. Os Caterham foram os reis do espectáculo na pista de Portimão, com constantes "slides" e piões.

Missão cumprida: Miguel Lacerda concluiu a prova do Open ao volante de um Honda Civic Type R que partilhou com Francisco Sande e Castro. Deste modo, o piloto nortenho entrou para a história, pois passou a ser o único piloto totalista, tendo alinhado à partida da jornada de inauguração do Autódromo do Estoril (em 1972, com um Aurora de Fórmula V), participou no dia de estreia do circuito de Braga e agora regressou de um jejum de 8 anos para estrear o Autódromo Internacional do Algarve.
Classificação final:
1º Pedro Salvador
Juno SSE
2º Bobby Verdon-Roe
Lister Storm
3º Francisco Gallego
Radical SR8
4º A.Nogueira / A.Coimbra
Porsche 911 GT2
5º P.Marreiros / T.Magalhães Caterham
6º Pedro Pita Caterham
7º Nuno Carvalho Caterham
8º Isaac Chande Caterham
9º João Galvão Caterham
10º Miguel Couceiro Caterham
Velocidades Máximas em corrida:
Francisco Gallego Radical SR8 262 km/h
Bobby Verdon Roe Lister Storm 258 km/h
António Nogueira Porsche 911 GT2 256 km/h
Carlos Diniz March 74S 241 km/h
(...)
CAMPEONATO DE PORTUGAL DE CLÁSSICOS (CIRCUITOS)
A história da corrida começa antes da corrida, com um jantar de pilotos do CPCC/CPCC 1300, organizado com o intuito de estabelecer laços de camaradagem e amizade, como nos bons e velhos tempos em que os actuais clássicos eram os carros modernos. Para quem conheceu o ambiente da velocidade até há pouco tempo atrás, compreenderá melhor o interesse e a oportunidade de realizar estes encontros entre pilotos, cujo bom relacionamento só pode trazer notas positivas.
Mas vejamos como foram as corridas:
Corrida 1
Embora estivesse ao volante de um sport-protótipo que era o veículo mais competitivo do lote, Pais do Amaral perdeu o comando para Carlos Santos logo no arranque e depois caiu para o 4º posto na sequência de um ligeira saída de estrada. Iniciou então a recuperação que o devolveria ao comando no decurso da 5ª volta e manteve-o na sequência do grave acidente no fim da recta da meta, envolvendo Kiko Mora e José João Baptista, que levou à interrupção da corrida.
Joaquim
Jorge fez uma corrida calma onde o 4º lugar final (2º entre os que pontuavam
para o CPCC) o aproximou do título, até porque Alexandre Rebelo, na ânsia de
apanhar os primeiros e pressionar Jorge a esforçar o cansado motor BDG, falhou a
travagem para o gancho do paddock (alegadamente porque o pedal estaria
muito esponjoso após uma mudança do óleo dos travões) e colidiu com o Escort de
António Nogueira, fazendo ambos um pião que os atrasou em relação aos primeiros
"fui bater logo no carro que me poderia ajudar em termos de campeonato"
lamentava Rebelo no fim da prova. Desde o percalço, o Porsche a falhar não o
deixou subir para lá de um modesto 8ª posto da geral.
Corrida 2:
Com a ausência voluntária do Lola T70 de Pais
do Amaral, o triunfo desta corrida passou a ser assunto entre os homens dos
Porsche preparados na Garagem Aurora. Logo desde os primeiros metros de prova,
Carlos Santos assumiu o comando, seguido por Barros que não mais o largaria,
chegando a haver algumas trocas de posições. Na última volta, Barros passou
novamente Santos e este contra-atacou na curva seguinte, encostando os dois
carros lateralmente com alguma violência e prosseguindo lado a lado no espaço
entre duas curvas. Barros acabaria por se libertar e deixar Santos para trás
perto da linha da meta, com o carro a ostentar a violência do embate.
António Nogueira,
sem problemas de maior terminou no 3º posto, seguido por Joaquim Jorge e por
Alexandre Rebelo, que embora tivesse o seu Porsche a funcionar um pouco melhor
(tinha trocado o motor no espaço entre as duas corridas) nunca esteve em
condições de atacar os lugares da frente. "Pelo menos nesta corrida já me
diverti um bocado" dizia-nos o piloto madeirense no final da segunda corrida
"foi pena ter partido tão atrás e o carro nunca ter estado a 100%. Mas
são as corridas..." .
Sem
grandes pressões, o motor de Joaquim Jorge resistiu, o Escort terminou no 4º
lugar e o título ficou nas mãos do piloto de Penafiel.

Miguel Pais do Amaral e a ASM aproveitaram um buraco do regulamento de clássicos para alinhar com o Lola T70 MKIII, um verdadeiro sport-protótipo que foi originalmente homologado como Sport de grupo 4 (e só depois passou a Sport Grupo 5). Ora como os Grupo 4 podem participar nas provas portuguesas, um Lola T70, um Porsche 906, um Porsche 917, um Ferrari 512, um Ferrari 250 LM ou um Chevron B8 podem valer-se da sua condição de viaturas homologadas e correr ao lado dos Porsche Carrera RSR e Ford Escort RS que caracterizam o actual panorama de clássicos. Porquê então continuar a banir os restantes sport-protótipos, era a questão que alguns observadores e pilotos deixaram no ar.

Miguel Pais do Amaral teve alguma dificuldade em desembaraçar-se dos muito aguerridos Porsche Carrera RSR de "Cáfi" e Barros que chegaram a rodar à frente do Lola. Esta operação foi um sucesso para o piloto do Lola, pois à taça do primeiro lugar somou-se a aprendizagem da pista Algarvia, detalhe que poderá revelar a sua utilidade na próxima corrida do Le Mans Series, a disputar e Agosto, onde Pais do Amaral deverá alinhar com o seu novo Ginetta - Zytec LMP2.

Com o Ford Escort RS 1600 Joaquim Jorge realizou uma prova táctica, pois sabia que para vencer o campeonato lhe bastava terminar à frente de Rebelo. Por outro lado, o seu motor BDG preparado por Geoff Richardson já tinha ultrapassado o tempo limite para a revisão e não convinha esforçá-lo demasiadamente, sob pena de sofrer alguma avaria grave e comprometer todo o esforço. No final, tudo acabaria por correr bem e o conterrâneo de Joaquim Santos venceu o campeonato por mais uma vez. Refira-se que Joaquim Jorge é um piloto aguerrido e muito versátil, dos poucos em Portugal que até hoje conseguiu ser campeão de velocidade e de ralis, a par de nomes míticos como Américo Nunes ou Joaquim Moutinho.

Rufino Fontes conheceu o seu momento de glória no decurso dos treinos livres à chuva, onde obteve o 5º posto absoluto, com o Alfa Romeo Giulia, Grupo 5, da Fábrica italiana. Nada como um traçado inédito e o piso escorregadio para "mostrar serviço" aos mais novos. De acordo com as palavras do Eng. Tomé Coelho, e ao contrário do que poderá parecer para um carro de linhas tão clássicas, o Giulia possui uma aerodinâmica muito apurada para um carro dos anos 60, que o beneficia de algum modo no respeitante à velocidade de ponta.

António Simões, o patrão da ASM e antiga esperança do desporto automóvel nacional, regressou por um momento ao volante deste Ford Escort RS 1600 que em tempos pertenceu a Carlos Barbosa. Quem sabe nunca esquece e, como se tal fosse necessário, ficou demonstrado porque é que Simões foi campeão nacional de Fórmula Ford e porque batia alguns futuros pilotos de Fórmula 1, quando militou na Fórmula Ford britânica. Logo nos treinos livres, estreia da pista e do carro, Simões rubricou o 2º tempo absoluto, apenas batido por António Nogueira... que devido à sua presença no CEGT e no Open, já tinha algum tempo de rodagem no novo traçado algarvio. Por opção, os homens da ASM apenas quiseram alinhar na primeira corrida. A dose certa diriam alguns...

João Matos regressou com o seu Porsche 914/6 Grupo 5, de produção própria, que nesta época substituiu o seu anterior 911 ST, também "feito em casa". Uma bonita forma de dar corpo aos sonhos e de praticar o desporto de eleição.

Instantes iniciais da primeira corrida: o Lola já tinha passado e, na foto, vemos os Porsche de "Cáfi" e Barros, seguidos pelo Escort do regressado (ao CPCC) António Nogueira.

Hara-kiri, no pior momento: Alexandre Rebelo falha a travagem e vai colidir com o Escort de António Nogueira, prejudicando assim um dos pilotos que poderia ajudá-lo nas contas do campeonato, se ambos ficassem classificados à frente de Joaquim Jorge. Este aproveitou bem a confusão criada atrás de si para gerir a sua corrida, calmamente, poupando os pneus e mecânica de qualquer imprevisto.

Apesar de ter saído desta situação com alguma celeridade, partir deste momento o Porsche deixou de trabalhar convenientemente, rodando em tempos que não lhe davam grande esperança de alcançar o Escort do seu rival. Por seu turno António Nogueira ficou algum tempo parado antes de retomar a corrida, comprometendo também as suas hipóteses de discutir os lugares cimeiros.

Espírito clássico: Domingos de Sousa Coutinho alinhou uma vez mais ao volante do BMW 2800 CS, um carro que conduz pelo gosto de satisfazer o imaginário de juventude, quando estes modelos da marca bávara estavam entre os seus veículos favoritos. Sem carro para discutir os lugares da frente, foi no entanto o vencedor do campeonato H71. Um exemplo a reter...

Francisco Abreu regressou ao CPCC com o renovado Ford Capri 2600 RS (V6 de 170 cv), agora com novas rodas e guarda-lamas alargados. Esta participação revelou-se particularmente emotiva para o simpático concorrente, pois decorreu no dia do 80º aniversário do nascimento do seu falecido pai, o antigo piloto de Fórmula V, António Pinto Abreu, ou "A.Pita". Esta homenagem, traduzida graficamente pelo "Thanks!" na capota do carro, prende-se com o facto de Pinto Abreu ter sido o responsável pela inoculação do bichinho das corridas a Francisco Abreu e ao seu irmão Pedro Bettencourt, também proprietário de um Capri decorado com as mesmas cores: o branco e azul que outrora o pai ostentou no Fórmula V (ver foto em baixo).
António Pinto Abreu ou "A Pita" com o Fórmula V azul e branco, na Granja do Marquês, no final dos anos 60 (colecção Francisco Abreu)

Nem só na frente andam belos carros: José Silva trouxe de Vila do Conde o seu imaculado Ford Escort (com motor Pinto de 8 válvulas e decoração concebida por Rui Queirós) e na segunda corrida viu-se forçado a abandonar com a caixa bloqueada em ponto morto. Na foto, vemo-lo em despique directo com o Datsun 240 Z de José Perdigão, tanto quanto julgamos saber uma viatura inédita nos clássicos de velocidade.

José João Baptista, com o antigo Ford Escort RS de Joaquim Jorge, segue na frente do Volkswagen Scirocco de Victor Rodrigues. No decurso do fim de semana, ambos os pilotos viriam a sofrer acidentes que danificaram significativamente os seus carros.

José Perdigão levou este bonito Datsun 240Z para a inauguração da "sua" pista algarvia.
"Com o traseiro virado para a lua", é uma expressão popular que significa ter sorte na vida. Em termos literais, bem podia ser o título desta foto de Alexandre Rebelo, feita ao fim da tarde e tendo a lua cheia como pano de fundo. No entanto, foi o que esteve longe de suceder com o veterano piloto madeirense, que viveu uma época excepcional, mas onde a sua capacidade de gerir a acção na pista foi contrariada pelo toque que sofreu no Estoril e pela própria FPAK que quando mudou as regras de pontuação a meio do campeonato (com as melhores intenções, mas aparentemente sem avaliar bem as possíveis consequências da medida) ter-lhe-á retirado o ânimo e boa parte das probabilidades de se manter efectivamente na luta pelo título de Históricos 74.

Foram diversos os pilotos que conheceram as grandes escapatórias do novo autódromo de Portimão. Carlos Filipe Santos foi um deles, logo nos treinos livres de 6ª feira.

Um dos heróis do Algarve foi António Barros, vencedor da segunda corrida após um final de antologia onde descreveu as derradeiras curvas do circuito literalmente colado, lado a lado, com o Porsche do seu rival Carlos Filipe Santos, autor de um ataque final que redundou numa cena pouco comum no cada vez menos pacifico universo do CPCC. Salvou-se o espectáculo, demonstrou-se a garra e a grande mestria dos dois pilotos nortenhos. Ficou, no entanto, a sensação de que terá sido passado o limite do razoável...

Kiko Mora e Domingos de Sousa Coutinho admiram o estado em que ficou o Escort do primeiro, após o toque e o consequente voo em alta velocidade, na recta da meta, naquele que poderia ter sido um acidente de graves consequências.

A outra vítima do mesmo desencontro foi o Escort RS 1600 de José João Baptista que ficou no estado que a foto documenta, após colidir contra o portão das boxes.
Classificação final:
Corrida 1
1º Miguel Pais do Amaral - Lola T70 MKIII
2º Carlos Santos - Porsche Carrera RSR
3º António Barros - Porsche Carrera RSR
4º Joaquim Jorge - Ford Escort RS
5º António Simões - Ford Escort RS
6º José Luís Moura - Ford Escort RS1800
7º António Nogueira - Ford Escort RS
8º Alexandre Rebelo - Porsche Carrera RSR
9º Manuel Neto - Ford Escort RS 1800
10º
Francisco Pinto - BMW 2002
Volta mais rápida: Miguel Pais do Amaral - 1m57,515s
Corrida 2
1º António Barros
- Porsche Carrera RSR
2º Carlos Santos - Porsche Carrera RSR
3º António Nogueira - Ford Escort RS
4º Joaquim Jorge - Ford Escort RS
5º Alexandre Rebelo - Porsche Carrera RSR
6º José Luís Moura - Ford Escort RS 1800
7º Manuel Neto - Ford Escort RS 1800
8º Francisco Pinto - BMW 2002
9º João Matos - Porsche 914/6
10º Domingos Coutinho - BMW 2800 CS
(...)
Volta mais rápida: António Barros - 2m00,322
Velocidades máximas nos treinos cronometrados:
M. Pais do Amaral Lola T70 MKIII 248 km/h
Carlos Santos Porsche Carrera RSR 231 km/h
António Barros Porsche Carrera RSR 226 km/h
António Nogueira Ford Escort RS 225 km/h
Manuel Neto Ford Escort RS 1800 217 km/h
Joaquim Jorge Ford Escort RS 217 km/h
J. Luís Moura Ford Escort RS 1800 217 km/h
Rui Silva Porsche Carrera RSR 216 km/h
Alexandre Rebelo Porsche Carrera RSR 215 km/h
Kiko Mora Ford Escort RS 1800 213 km/h
Campos Costa Lotus Europa 294 km/h
(...)
CAMPEONATO DE PORTUGAL DE CLÁSSICOS 1300 (CIRCUITOS)

A subida de forma de Victor Araújo viu-se confirmada com um segundo e um primeiro lugar.

Muito rápido e sempre espectacular, Paulo Antunes acabou por conquistar um título nacional que lhe assenta com toda a justiça.

Miguel Ferreira foi um candidato ao triunfo que não teve a sorte do seu lado. Neste caso, uma válvula da roda traseira direita rebentou sensivelmente neste momento e o pneu despejou repentinamente, levando o Ford Escort 1300 a um indesejado "tete à queue" .

De novo o mesmo piloto, na seguimento da foto anterior, quando tentava continuar a sua marcha, pela zona da escapatória, com o agora inguiável Escort. Mas sem pneu não dava mesmo para ir muito mais longe...

Dois dos candidatos ao triundo no campeonato dos 1300 eram respectivamente o Alfasud Sprint de Alexandre Beirão e o Datsun 1200 de Luís Alegria. Sortes diversas condicionaram as actuações dos dois pilotos, sendo evidente na imagem o princípio de incêndio no carro italiano...

... fogo esse que durante alguns segundo envolveu a traseira do Alfa e fez temer o pior. No entanto, como que por milagre, as chamas apagar-se-iam alguns segundos depois desta foto e até ao final da prova a equipa não se apercebeu do motivo porque o carro falhava tanto: uma fissura no depósito que entornava o combustível e que, no caso desta curva, devido ao contacto com o escape, se converteu em vistosas labaredas.

O regresso do piloto-médico-jornalista-escritor: José Mota Freitas, autor de dois livros sobre o circuito de Vila do Conde (para quando uma maior divulgação da sua obra?) sentou-se de novo ao volante do seu Cooper S que estava parado desde a Boavista de 2007 e marcou presença nesta jornada inaugural do AIA. Um começo tímido devido à falta de rodagem foi evoluindo até ao renascer do espírito competitivo que o tinha já distinguido no circuito portuense. Na imagem o seu Austin Cooper S, que por razões de força maior, pela primeira vez desde 2003 correu sem os logótipos do Sportscar Portugal ...

António Paquete, com o MG Midget, tem tido alguma dificuldade em acompanhar os novos tenores do CPCC 1300. No entanto, não é por falta de motivação do piloto ou da equipa que o MG se tem privado dos sucessos que em 2007 surgiam quase por rotina. A reposta residirá na enorme evolução que os adversários implementaram aos seus carros, que agora, mais do que o espírito, exploram a fundo a letra do regulamento e deixam o Midget a segundos de distância. No Algarve, uma anilha de freio foi a causa de se ter soltado o conjunto da roda e semi-eixo, levando ao abandono na primeira das corridas.

Paulo Miguel e Jorge Carvalho dão os derradeiros retoques ao Mini antes do primeiro pegar no volante para a derradeira corrida do CPCC 1300. Paulo Miguel gostou tanto da experiência com o Cooper S do seu amigo "menos divertido no seco, mas em chuva muito mais fácil de guiar que o meu Midget" que para a próxima época deverá adquirir um carro semelhante, ou pelo menos, mais ou menos semelhante (os detalhes ficam para mais tarde) .

Tudo começou com um novo jogo de pistões australianos, "especiais de corrida" que ao invés de melhorarem o desempenho do Imp, deram cabo do motor no primeiro ensaio. Depois, com um motor reconstruído em tempo recorde e com material de segunda escolha, foi a corrida possível para Veloso Amaral, mais uma vez presente numa prova do CPCC 1300.
Classificação final
Corrida 1
1º Paulo Antunes - Datsun 1200 Deluxe
2º Vitor Araújo - Datsun 1200
3º Fernando Soares - Austin Cooper S
4º Eurico Silva - Datsun 1200
5º Luís Alegria - Datsun 1200
6º Pedro Gaspar - Datsun 1200
7º César Leite - Mini 1275 GT
8º António Magalhães - Datsun 1200
9º João Carlos Torres - Austin Mini
10º Luís Nobre da Veiga - Morris Mini Cooper
(...)
Corrida 2
1º Vitor Araújo - Datsun
1200
2º Paulo Antunes - Datsun 1200
3º Alexandre Beirão - Alfa Romeo Alfsud Ti
4º Miguel Ferreira - Ford Escort GT
5º Eurico Silva - Datsun 1200
6º António Paquete - MG Midget
7º Pedro Gaspar - Datsun 1200
8º João Carlos Braga - Datsun 1200
9º Luís Nobre da Veiga - Morris Mini Cooper
10º António Magalhães - Datsun 1200
(...)
Volta mais rápida: Alexandre Beirão - 2m13,28
Velocidades máximas nos treinos cronometrados:
Pedro Gaspar Datsun 1200 191 km/h
João Carlos Torres Datsun 1200 Coupé 191 km/h
Miguel Ferreira Ford Escort 1300 191 km/h
Alexandre Beirão Alfa Romeo Alfasud Sprint Ti 189km/h
Paulo Lagoa Fiat 128 Coupé 188 km/h
Paulo Antunes Datsun 1200 187 km/h
Luís Alegria Datsun 1200 185 km/h
(...)
O Sportmotores é uma página da Internet construída
por carolice e conhecida por todos os entusiastas devido à qualidade e
abrangência das suas notícias. A alma deste "site" é José António Marques, um
enorme entusiasta e conhecedor do meio, que aqui vemos no pleno exercício do seu
nobre ofício. Obrigado JAM !
PTCC

No Algarve terminou também o campeonato nacional para viaturas de turismo (PTCC) cujas duas corridas tiveram como vencedor César Campaniço, ao volante deste BMW 320 si. Estes dupla vitória confirmou em definitivo a entrega do título nacional ao piloto do carro alemão.
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A perspectiva de um piloto:
Circuito Automóvel do Algarve: a crónica de Alexandre Guimarães
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