Circuito do Algarve - ACDME 2

Legendas e fotos: Ricardo Grilo

 

Open GT

Portugal, quase

O Campeonato GT Open tem um regulamento interesante que priveligia o equilibrio e a luta entre as principais marcas de viaturas de Grande Turismo: A Ferrari e a Porsche. Esta fórmula acaba por revelar-se acertada, com corridas equilibradas que cativam como poucas o interesse dos aficionados. Para nós, portugueses, existe o interesse complementar de termos alguns pilotos nacionais a disputar este campeonato de dimensão europeia, nomeadamente com a presença de Duarte Félix da Costa, António Coimbra, Rui Águas, Luís Silva, António Nogueira e, acima de tudo, Manuel Gião e Pedro Couceiro, que tripularam um dos competitivos Porsche 911/997 GT3 RSR da equipa Autorlando e terão feito duas corridas excepcionais, talvez as duas melhores demonstrações de virtuosismo deste fim de semana.

 

Partida da segunda corrida, com o Porsche-Autorlando de Richard Lietz na frente, seguido pelo carro idêntico da equipa IMSA Performance - Matmut  e por um pelotão de Ferrari 430 GTC, de onde, após terem passado 5 carros diferentes pelo comando, viria a sair o vencedor. Mais atrás, ao fundo, o Porsche de Gião e Couceiro, que viria a ser o segundo classificado nesta corrida.

Autores de uma corrida excepcional, Richard Lietz, Gianluca Roda e o Porsche 911 GT3 RSR, viriam a conquistar o triunfo mesmo em cima da linha da meta, numa corrida cujo vencedor apenas foi declarado após a consulta do "Photo Finish". Embora não existam equipas oficiais no Open GT, quer os carros da Autorlando, quer os da IMSA Matmut têm algum apoio técnico por parte da Porsche Motorsport.

Os grandes derrotados de Sábado: o Ferrari 430 GTC da Advanced Engineering, de Michele Rugolo e Giacomo Ricci, que ficaram a uns meros 0,039 Seg. do primeiro classificado. Os carros italianos têm o apoio da marca de Maranello através do serviço Corse Clienti e pelas especificidades do regulamento do Open GT, (onde correm na classe Super GT) são mais leves e mais potentes que os carros do mesmo modelo que competem sob as regras FIA ou ACO (LM GT2). A potência anunciada oficialmente ronda os 470 cv, no entanto, é possível que na realidade seja alcançado um valor claramente superior, segundo a opinião de alguns dos pilotos.

Manuel Gião e Pedro Couceiro conseguiram um excelente resultado, ou melhor, dois excelentes resultados em terras algarvias, ao volante deste Porsche 997 GT3 RSR da Autorlando Sport, com um 4º e um 2º lugar, respectivamente no Sábado e no Domingo. Segundo Gião, o carro anda muito bem e está bastante melhor que em Imola, embora ainda andem a descobrir os segredos para a afinação ideal de chassis do 997. Como curiosidade, este ano no Open GT, os Porsche da frente possuem algo como 550 cv, provavelmente cerca de 20 cv mais que os melhores Ferrari 430 GTC e muito mais potentes que os mesmos carros nas provas organzadas sob as regras do ACO ou da FIA, onde restritores muito mais apertados retiram quase 100 cv a estes Porsche e Ferrari, impedindo-os na prática, de vencerem corridas à geral, em benefício de outros contrutores de menores pergaminhos.

Marcel Fässler e Joel Camathias foram os brilhantes vencedores da segunda corrida, ao volante do Ferrari decorado com as cores dos cafés suíços Trottet.

O forte andamento de Jean- Phillipe Belloc e Yannick David não teve tradução em termos de resultados. No entanto, o Porsche 911 GT3 RSR da IMSA Performance é dos melhores "Super GT"da actualidade.

Uma presença menos habitual em Portugal serão os Chevrolet Corvette, como este que Iradj Alexander e Jean-Claude Lagniez levaram ao pódio da classe GT3. Lagniez é um veterano piloto francês que ganha a vida - e subsidia as corridas de automóveis - como "Cascadeur" no cinema. Inicialmente com o mítico Rémy Julienne - quando nos anos 70 dobrou Roger Moore nos filmes de James Bond - e posteriormente com a sua própria empresa "Cine Cascade". Para a história, Lagniez começou a correr em 1965 e estreou-se em provas deste tipo, com um Porsche 911 S, nas 24 Horas de Le Mans de 1970 ! Na foto, atrás do Corvette, vemos o estranho SR21 com motor Judd V10 de Oscar Fernandez e Mateo Cressoni, 5º classificado na segunda corrida.

Se Lagniez é um veterano, o que dizer de um dos pilotos deste Maserati Coupé? Um homem que começou a correr em provas do Mundial de Marcas, no circuito de Monza... em 1963!!! Trata-se de Arturo Merzario, antigo piloto da equipa Ferrari de Protótipos e de fórmula 1 e que aos 66 anos de idade ainda não perdeu o gosto pela actividade de uma vida.

António Coimbra e Luís Silva partilharam a condução do belo Aston Martin DBRS9 "de ralis", carro que posteriormente irá alinhar em provas de estrada pelas mãos de José Pedro Fontes.  A seu lado, o vencedor da segunda corrida, o Ferrari 430 GT de Macel Fassler e Joel Camathias.

Piloto e pai: após as corridas, Manuel Gião entreteve-se a passear o seu filho de Scooter pelo paddock.

 

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CPCC 1300

Emoção até ao fim

Capazes de rodar em tempos impensáveis há apenas dois anos atrás, os principais actores do CPCC até 1300 cc têm evidenciado um salto qualitativo pouco comum no panorama da velocidade nacional. São vários os candidatos ao triunfo e muitos os actores para os lugares secundários, fazendo dos 1300 uma das categorias mais dinâmicas, competitivas e equilibradas do desporto automóvel nacional.  Uma vez mais, o nivelamento de andamentos e a emoção estiveram presentes nas duas corridas disputadas no Algarve, com lutas intensas para os primeiros lugares. Na primeira corrida, assistiu-se ao primeiro triunfo de João Ramos ao volante do Toyota Starlet que nos anos 80 correra com as cores da equipa Salvador Caetano. O piloto nortenho, saído da 6ª posição da grelha, galgou lugares até se apoderar do comando e assegurar o triunfo, contestado pelos Escort de Miguel Ferreira e Rui Azevedo e pelo Alfasud Sprint de Alexandre Beirão. Na segunda  corrida Azevedo partiu o motor e Miguel Ferreira comandou, determinado, até desgastar os pneus do Escort e permitir a aproximação do Toyota de Ramos.

Vejamos então o que se passou, através das legendas das fotos:

 

Pouco antes da partida para a segunda corrida, o Eng. Tomé Coelho olha, atento, para os seus "meninos" a saírem para a pista. No final, sem estar em condições de lutar pelo triunfo - talvez devido a uma escolha pouco correcta dos "rapports" - a formação de Paços de Ferreira conseguiu uma boa operação em termos de campeonato, com todos os carros a atingirem a meta, classificados em lugares honrosos.

 

João Ramos conseguiu vencer pela primeira vez com o Toyota Starlet. Na foto, vemo-lo seguido pelos Datsun 1200 de Victor Araújo e Luís Alegria e pelo Alfasud Sprint de Alexandre Beirão.

Duas estreias no CPCC de 2009: o Austin Cooper S de Paulo Miguel e o Fiat 127 Abarth de Cândido Espinha. No final, o 127 venceria por duas vezes a sua classe e Paulo Miguel, a braços com recorrentes problemas de travões, ficar-se-ia por dois pódios na classe e também no novo troféu BMC Classic Cup, onde venceu mesmo a Classe 2.

O novo Austin Cooper S de Paulo Miguel, um dos grandes impulsionadores do espírito e dos campeonatos de clássicos em Portugal,  como sempre decorado com as cores da Ezalo.

Nos anos 70 José Filipe Nogueira alinhou no Troféu Mini e agora regressou aos seus veículos de eleição, correndo com este Mini 1275 GT, na imagem acompanhado por outro veterano, Veloso Amaral, ao volante do seu habitual Hilman... que pretende substituir em breve, trocando-o por um carro mais competitivo, ainda no segredo dos Deuses.

Tendo sido 11º classificado na primeira corrida, Fernando Teixeira viria a desistir perto do final da segunda. Na foto, logo após a paragem forçada, quando tentava compreender o motivo pelo qual o seu motor tinha deixado de colaborar.

 

A segunda corrida "1300" do dia foi ganha, "in extremis" por Miguel Ferreira, ao volante deste Ford Escort preparado por Antero Pereira e decorado com as cores clássicas da equipa Broadspeed. Ferreira comandou a corrida praticamente desde o início, mas perto do final os pneus começaram a perder rendimento e o Toyota Starlet conseguiu aproximar-se e ultrapassar o Escort... para logo de seguida, quase no final da corrida - devido ao próprio óleo ou pelo calor da acção - descrever um monumental pião e perder novamente o comando a favor do carro britânico.

Após o fim das hostilidades, Miguel Ferreira, claramente bem disposto, comemora com a sua equipa o difícil triunfo que acabara de conquistar.

 Após um longo afastamento, Renata Parente regressou aos clássicos, trocando o anterior Saab Sonet por um mais comum Datsun 1200

 

 

BMC Classic Cup

 

Estreia ao sol


A primeira ronda do BMC Classic Cup – troféu organizado pela ANPAC com o objectivo de reunir na mesma classificação todos os carros que façam uso de motores BMC das séries A e A+ - teve no Autódromo Internacional do Algarve a sua auspiciosa estreia. Fernando Soares, em Mini Cooper S, António Paquete, em MG Midget, Paulo Miguel, em Mini Cooper S e José Filipe Nogueira, em Morris Mini 1275 GT, foram os heróis do Algarve, numa disciplina que promete dar que falar.
Gozando de um andamento muito forte nas duas mangas do dia, Fernando Soares foi o grande vencedor da primeira prova do BMC Classic Cup, impondo o seu pequeno bólido face a uma concorrência encabeçada por António Paquete.
Paulo Miguel, que estreou o seu carro, foi segundo classificado mas sentiu inevitáveis problemas de juventude da mecânica. Logo a abrir a primeira manga seria a bomba de travões a dar de si, deixando o piloto sem sistema de travagem durante a totalidade das dez voltas. Para a segunda manga, e já com uma bomba nova, as pastilhas colavam a duas voltas do final, quebrando o ritmo.
Outro projecto novo, feito de propósito para integrar o BMC Classic Cup e CPCC1300, foi o de José Filipe Nogueira, um histórico que batalhou durante toda a jornada contra alguns problemas de afinação do seu Mini.A próxima prova do BMC Classic Cup será disputada no Autódromo Fernanda Pires da Silva, no Estoril, estando desde já garantidas mais algumas estreias de carros e pilotos, num troféu organizado pela ANPAC destinado a tirar da garagem os Mini e seus derivados.

In Comunicado da ANPAC

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CPCC 

Sob o signo do desequilíbrio

É notável a queda de interesse que as corridas maiores do Campeonato de Portugal de Clássicos de Circuitos têm sofrido nos últimos tempos. O afastamento dos sport-protótipos (mas não dos Sport), a consequente corrida ao armamento e o desinteresse de alguns dos animadores do campeonato (Rebelo, Barros, Nogueira, etc.) transformaram as melhores corridas nacionais numa procissão do tipo "lá vai um". No Algarve, os 3 primeiros repetiram-se nas duas corridas, com diferenças de tempos assinaláveis entre si. De Carlos Barbot para Carlos Santos existe um fosso de 2 segundos por volta, de Santos para Joaquim Jorge existem agora 3 segundos por volta e de Jorge para Ribeirinho Soares existem outros 3 segundos de diferença por cada passagem pela meta do circuito de Portimão. Ou seja, as classificações estão decididas logo à partida, sem qualquer tipo de interesse desportivo. Salva-se o interesse estético e histórico, com um desfile dos mais interessantes carros que correram nos anos 60 e 70. Mas não será isto pouco, para um campeonato que já foi a bandeira da velocidade nacional?

 

No parque fechado, alguns dos carros mais interessantes do CPCC.: o Porsche Carrera RSR de Rui Macedo Silva, com o Mestre Eduardo prestes a ocupar o volante, o Porsche 934 Turbo de Serafim Ribeirinho Soares e o Lola T70 MkIIIb de Carlos Barbot.

 

Safari, Monte Carlo, mas também Le Mans, Daytona, Sebring, Estoril, Vila Real... Um Datsun 240Z é sempre um carro interessante de se ver e aporta uma importante mais-valia histórica a qualquer manifestação de clássicos. Que mais não fosse, só por isso, o nosso agradecimento  a José Perdigão por trazer de novo um destes carros ao convívio do CPCC.

Alguns "bravos do pelotão", eventualmente menos vistos e referidos nos media: Rui Carneiro e Francisco Pinto, com os BMW 2002 e o "histórico" Rufino Fontes no Alfa Giulia da Fabrica Italiana, no decurso da segunda corrida do CPCC. No final, Pinto seria o melhor classificado (em 8º), seguido por Rufino Fontes, 10º da geral e 1º da sua classe. Rui Carneiro viria a desistir, pouco depois desta foto.

Kiko Mora teve um fim de semana pouco feliz, mas não deixou de impressionar com a nova pintura do camião da sua equipa.

Pela primeira vez, Serafim Ribeirinho Soares deu um ar de sua graça com o Porsche 934 Turbo e nas primeiras voltas conseguiu importunar os primeiros classificados. Na foto, curvando a par com Joaquim Jorge, a caminho da sua melhor volta. Pouco depois viria a deixar escapar o seu adversário, aparentemente devido ao desgaste prematuro dos pneus. Mesmo assim, um bom resultado no final, com o 4º posto absoluto, batendo desta vez o Elan de Pedro Fins, numa luta particular que na primeira corrida tinha sorrido ao piloto do Lotus azul (que se vê atrás, na foto).

A falta de adversários directos fez com que poucos se apercebessem da brilhante exibição de Carlos Filipe Santos, que com o Porsche Carrera RSR da Fozcar, melhorou em cerca de 2 segundos o seu melhor tempo nesta pista.

Alexandre Guimarães regressou à competição com o Lotus Elan renovado a nível de motor e agora incrito no Troféu Nacional de Clássicos "para não competir na mesma classe do Lola T70". No final, a aposta revelou-se acertada, pois após animado duelo com o Cooper S "Grupo 5" de Rui Costa, viria a vencer o Troféu na segunda corrida.

Como correr de Porsche nos clássicos sem dispor de um orçamento milionário? Ricardo Sousa estreou este Porsche 924, adquirido por bom preço no Reino Unido e preparado na Garagem Aurora. Ainda em fase de desenvolvimento, possui um motor atmosférico de 2 litros a debitar cerca de 140 cv e com 171 Km/h de velocidade máxima, o conjunto não é - para já - competitivo. Mas, segundo o piloto, o carro já revelou um grande equilíbrio e uma excelente capacidade de curvar. De notar as jantes ATS "Coockie Cutter", pouco comuns em competição. 

"Problemas no Porsche? Chamem o Mestre Eduardo!" Este poderia ser um título para a fotografia do Porsche 934 Turbo de Serafim Ribeirinho Soares, com o líder da Garagem Aurora a observar uma viatura ainda em fase de desenvolvimento, e que tarda em descobrir o caminho para se tornar num carro efectivamente competitivo.

Presentes apenas como espectadores, Carlos Diniz, Bernardo de Sá Nogueira e Mário Silva num momento de animada conversa.

 

 

 

Velocidades Máximas 2009:                                         Velocidades Máximas 2008:

Lola T70                         C.Barbot    241.611 Km/h          Lola T70                        M.P.Amaral   248.848 Km/h

Porsche 934                  R.Soares    232.759 Km/h          Porsche Carrera RSR     C.Santos       231.264 Km/h

Porsche Carrera RSR     C.Santos    220.409 Km/h          Porsche Carrera RSR      A. Barros     226.891 Km/h

Porsche Carrera RSR     R.M. Silva   217.304 Km/h          Ford Escort RS              A.Nogueira    225.001 Km/h

Porsche Carrera RSR      Kiko          215.569 Km/h          Ford Escort RS 1800       M.Neto          217.742 Km/h                

Ford Escort RS              J.Jorge       215.140 Km/h          Ford Escort RS               J.Jorge          217.304 Km/h            

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CPR

Potencial por explorar

Sendo uma das competições mais adaptadas à realidade nacional, com um regulamento permissivo, viaturas espectaculares, grelhas variadas e admitindo alguns carros competitivos, fáceis de preparar e de adquirir, paradoxalmante o Campeonato Português de Resistência tarda em afirmar-se no panorama do nossos campeonatos de circuitos. Desta vez, nem a presença do campeão do FIA GT, Bobby Verdon Roe, nem de alguns outros participantes britânicos, conseguiu retirar estas corridas de um relactivo anonimato, ao qual não será estranho o dia "errado" (sábado) em que normalmente se disputam.

A co

A primeira prova do Campeonato Português de Resistência conheceu um vencedor inédito sob a figura de Bobby Verdon-Roe. O antigo piloto do FIA GT que após a sua estreia na pista de Portimão, na corrida inaugural de 2008, decidiu voltar a participar numa prova portuguesa, venceu com alguma facilidade as duas mangas, rodando com o "velho" Lister vencedor crónico do FIA GT, em tempos ao nível dos melhores do actual GT Open. Na segunda posição ficou sempre o Radical SR3 de Hugo Pereira e Miguel Cristóvão, sendo que o terceiro lugar do pódio conheceu dois intervenientes: o Porsche 911 GT2 de António Coimbra/António Nogueira (1ª corrida) e o CVO de Luís Martins e Ribeirinho Soares (2ª corrida).

 

 

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Esta reportagem contou com o apoio do Hotel Praia Verde, em Castro Marim:  www.praiaverde.pt

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